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Reflexos

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A "Geração à Rasca"

MC 11 Mar 11

Um João de 30 anos, emigrante algures na Europa Central, deixou no Económico online (Portugal) de hoje um conselho sábio às novas gerações portuguesas, que se auto-denominam Geração à Rasca. O artigo que o provocou intitula-se O que as empresas procuram nos jovens à rasca, que reza como segue:

O que as empresas procuram nos jovens à rasca

Cátia Simões e Mónica Silvares  

Aptidões certas, trabalhar em equipa, adaptação a novas áreas, mobilidade, responsabilidade é a resposta.

"Nós, desempregados, ‘quinhentos-euristas' e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal." Assim começa o manifesto da "Geração à rasca" que sai à rua amanhã para fazer ouvir o seu descontentamento. Um descontentamento que o Presidente da República apoiou com o seu apelo ao "sobressalto cívico".

"Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo", disse Cavaco Silva, no seu discurso da tomada de posse. Com 276,7 mil jovens no desemprego, em 2010, mais 10,06% face ao ano anterior, a pergunta é: o que procuram os empresários nos jovens no momento de contratar? Aptidões certas, capacidade de trabalho em equipa e de adaptação a novas áreas, mobilidade geográfica e sentido de responsabilidade foi a resposta que o Diário Económico recebeu de empresários e empresas de recrutamento.

Mais do que o artigo, foram as palavras do João que me tocaram, pois a atitude generalizada dos jovens universitários de hoje é por demais passiva: sentam-se diariamente nos bancos das aulas, à espera de, com muito pouco esforço, assimilar os conhecimentos que lhes irão garantir – sublinho garantir – um emprego no final dos estudos.

Seria bom que fosse assim tão simples. Talvez no futuro venha a ser ideado algum aparelho que debite conhecimentos enquanto dormimos, de forma a termo-los incorporado no processo. Ou seja, adormecemos ignorantes e acordamos sábios. Que prático e eficiente! Só que nem isso conseguiria fornecer outras – importantes – características que se devem adquirir no processo dos estudos: características de atitude e de carácter, experiências de trabalho em equipa, aplicações práticas dos conhecimentos e uma miríade de tantas outras coisas que são aquelas que afinal formam um ser humano. E que, pelos vistos, são aquelas que as empresas procuram…

Uma pergunta que decorre destas exigências é Até que ponto estão as instituições de ensino preocupadas em assegurar que, paralelamente aos conhecimentos, os jovens obtenham as características de um bom profissional? Talvez, não muitas. Da própria pergunta resulta, por seu lado, que será preciso definir o que é ser “bom profissional”, para o que o artigo de hoje dá algumas respostas.

Voltando à questão inicial, sobre a passividade dos estudantes face à vida – parece que a luta deixou de fazer parte da sua agenda – recomenda o emigrante João:
 
“Deixo um conselho às gerações entre 18 e 25 anos:
Não tomem como garantido que o Ensino vos vai dar um trabalho, não esperem ficar mais inteligentes ao fim de cada dia na faculdade/trabalho. Vocês têm que procurar a diferença em vocês próprios! O que se estuda e trabalha entre os 16 e 24 anos vai definir o quão grande a vossa porta do futuro pode ser (e há sempre tempo de corrigir o destino nestas idades!). Mas essa porta não vai ter convosco, têm de a procurar, várias vezes até encontrar a vossa porta.
Uma das maiores gratificações de trabalhar no estrangeiro é chegar à conclusão que o Mundo não pensa como um só País (podia ser Portugal, Espanha, França, etc...). Há diferenças, umas boas outras más, onde qualquer um pode triunfar. CONTUDO, em Portugal existe também oportunidade.
Quem tiver a oportunidade de "ir para fora" bem novo voltará com olhos mais abertos e pronto a mudar as coisas em Portugal. Educação não é sentar-se numa sala de aula à espera de ser educado. Educação é acordar, decidir, agir com respeito ao Mundo e condições em que vivemos! Mexam-se, procurem estágios, desafiem limites e medos, não cruzem os braços!
A porta não vem ter com vocês, se a procurarem bem vão encontrá-la.
Um bem-haja a todos.”

Sábias palavras, João! Oxalá haja muitos jovens a lê-las.

2 comentários

De Trêza a 15.03.2011 às 04:32 pm

Olá :)

Este post está em destaque na homepage do SAPO Cabo Verde (http://sapo.cv (http://sapo.cv))

Continuação de bons posts!

De M.E.C. a 15.03.2011 às 04:38 pm

Obrigada Trêza! Por acaso já tinha dado conta. Obrigada pelo destaque! :)

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Maria Catela

foto do autor

"A memória é a consciência inserida no tempo." Fernando Pessoa

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  • Claudemir

    Olá ProfessoraGostaria de enviar-te um e-mail com ...

  • João Sá

    Bom dia :)O blog está em destaque na homepage dos ...

  • M.E.C.

    Olá! Que bom - toda a divulgação é uma ajudinha......